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Mulher morta a facadas em Macaé tentava recomeçar a vida após deixar ex-companheiro

Karollen de Souza Lopes, de 34 anos, havia se mudado cerca de dois meses antes do crime e buscava independência financeira para cuidar dos cinco filhos

Karollen de Souza Lopes, de 34 anos, morta a facadas em Macaé, no Norte Fluminense, havia deixado há cerca de dois meses a casa onde vivia com o ex-companheiro, Jorge Maris Maia, de 36 anos. Ela se mudou para outro imóvel na comunidade das Malvinas e tentava reconstruir a vida após o fim do relacionamento.

Segundo relatos de pessoas próximas, o casal manteve um relacionamento por anos e Karollen já teria sido vítima de agressões e ameaças. Em uma delas, Jorge teria afirmado que ela “não ficaria com mais ninguém”.

Mesmo após a separação e a mudança de endereço, ele não teria aceitado o fim do relacionamento. Na segunda-feira (10), Jorge invadiu a residência onde Karollen estava e a atacou com uma faca. A vítima foi atingida por cerca de seis golpes nas regiões do tórax e do abdômen.

O ataque aconteceu na presença de outras pessoas. A irmã de Karollen também estava no imóvel no momento do crime. Familiares socorreram a vítima e a levaram para o Hospital Público de Macaé (HPM), mas ela não resistiu aos ferimentos.

Karollen deixou cinco filhos, sendo dois deles filhos de Jorge. A filha mais velha, de 18 anos, já é mãe de um menino, primeiro neto da vítima. Os avós maternos das crianças são falecidos, e Karollen não contava com uma rede familiar de apoio estruturada.

De acordo com a Polícia Militar, apesar dos relatos de agressões e ameaças anteriores, não havia registro de denúncia feita por Karollen contra o ex-companheiro nem medida protetiva em vigor.

Tentativa de recomeço

Nos dias que antecederam o crime, Karollen havia começado a trabalhar como sushiman em um restaurante japonês de Macaé. O novo emprego representava uma oportunidade de conquistar autonomia financeira e garantir renda para o sustento dos filhos.

Ela também era atendida pelo Projeto CORDA, iniciativa que atua no acolhimento de pessoas em situação de vulnerabilidade social e no apoio a famílias. Após a morte de Karollen, o projeto publicou uma homenagem nas redes sociais e lamentou o feminicídio de uma das mães acompanhadas pela instituição.

Em uma das manifestações, o projeto destacou que a vítima deixou cinco filhos e chamou atenção para a violência contra as mulheres. A instituição também relatou as dificuldades enfrentadas para manter o atendimento às famílias e crianças assistidas diante da falta de recursos.

Karollen ainda participava do PEA Pescarte, projeto de educação ambiental que desenvolve ações com pescadores artesanais e seus familiares, promovendo organização comunitária e iniciativas voltadas à geração de trabalho e renda.

Marisqueira, ela integrava um grupo de mulheres ligado à atividade pesqueira. Natural de Macaé, Karollen buscava construir uma nova etapa da vida, com independência e melhores condições para cuidar dos filhos.

A tentativa de recomeço, porém, foi interrompida pela violência. Cerca de dois meses depois de deixar a casa onde vivia com o ex-companheiro e mudar de endereço, Karollen foi morta aos 34 anos. Ela deixa cinco filhos e um neto.

Velório e sepultamento

A família solicitou assistência do serviço social da Prefeitura de Macaé para os procedimentos funerários. O corpo de Karollen foi liberado pelo Instituto Médico-Legal (IML) de Macaé às 16h40 de terça-feira (11).

O velório foi realizado no Cemitério Memorial Mirante da Igualdade, em Macaé. O sepultamento está marcado para esta quarta-feira (12), às 10h, no mesmo local.

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